sábado, 24 de outubro de 2009

Minervina e Batuva Grelhados

Ponte sobre o rio Jaguarão, unindo as cidades de Jaguarão, Brasil, e Rio Branco (Uruguai).

Autor da foto: Fernando Damati

Recentemente estivemos em Jaguarão, fomos visitar a exposição do Garden Club daquela cidade.
Já fiz os comentários desse evento em postagem anterior.
É impossível visitar a fronteira sem atravessar para o lado dos "hermanos", Rio Branco, Uruguai.
Não vamos lá só para visitar os "Free Shop", onde há muitas tentações importadas, para os mais diferentes gostos, mas também para comprar os excelentes queijos, azeitonas, doces de leite e outros sabores uruguaios.
A carne dos nossos vizinhos é sempre um espetáculo, quando não se é vegetariano, é claro! Sempre tem uma boa "parrilla", com carnes de cortes especiais e "una buena cerveza" (Patrícia, Pilsen ou Zirletal) bem gelada.
Aqui no Rio Grande do Sul temos hábitos culinários muito próximo ao daquele pequeno e encantador país.
Em Pelotas, há vários anos contamos com alguns restaurantes semelhantes. Neles são servidos carnes, linguiças e vísceras grelhadas.
Um desses é o GRELHADOS BATUVA, um de meus favoritos.
É de propriedade de Alfredo Mello, sempre muito atencioso com os clientes, juntamente com sua esposa Cacaia. (foto do casal abaixo)

Recentemente o casal inaugurou em Rio Branco, no Uruguai, uma filial do GRELHADOS BATUVA, no mesmo estilo arquitetônico e cardápio do pelotense.
Estivemos conhecendo a nova casa há dois sábados, fomos muito bem recepcionados e atendidos.
O ambiente e a comida guardam a mesma qualidade já comentada, tendo ainda o "charme" da visão do rio Jaguarão, que separa os dois países.
Comentamos com a Cacaia da beleza do ambiente e da decoração. Ela contou-nos que também gosta, assim como nós, eu e meu marido, de pesquisar objetos interessantes em "bricks" de antiguidades. Mostrou-nos um porta retrato pendurado na parede e contou algo muito interessante sobre o mesmo.
Tratava-se de uma fotografia de mulher, onde atrás há escrito:
" Minervina Corrêa, Paris 1894".
Essa foto foi colocada ao acaso para enfeitar o restaurante, a Cacaia disse que nem sabia de quem se tratava, mas teve uma surpresa.
No dia da inauguração um sacerdote da localidade foi abençoar o novo empreendimento. Ao se deparar com a fotografia, o padre quis saber de quem se tratava. Então a Cacaia mostrou o verso da moldura onde havia o nome da personagem.

(foto de Minervina)

O Padre contou que se tratava de uma pessoa de lá, ela teria sido a construtura da hoje Igreja da Imaculada Nossa Senhora da Conceição, situada na cidade de Jaguarão. Quanta coincidência! De uma cesta de antiquário de Pelotas novamente àquela terra, ou próximo.
Adorei a história, até fui na igreja, algumas pessoas que lá trabalhavam, foram muito gentis, até ascenderam as lâmpadas do altar principal para que eu observasse melhor e permitiram que eu fotografasse. Achei tudo lindíssimo. Pena que sou uma "péssima fotógrafa".
Ao retornar à Pelotas tentei achar algo sobre a vida Minervina, mas não achei muita coisa.


UMA RECORDAÇÃO DE JAGUARÃO (autor: Vilmar José Silveira de Lima)

"Mas foi na outra igreja da Imaculada Conceição, com uma só torre, bem alta, que me aproximei mais da religião. Na época era uma capela particular de dona Minervina Carolina Corrêa, uma octogenária muito venerada na cidade e que assistia as missas numa cadeira própria instalada em lugar destacado do templo. Residia ao lado da igreja e seu nome também fora emprestado ao estádio de futebol, onde três clubes da primeira divisão de amadores do Rio Grande do Sul disputavam títulos, o Cruzeiro, o Jaguarão e o Navegantes."



Altar e Igreja da Imaculada Nossa Senhora da Conceição/Jaguarão)

Um comentário:

Berna disse...

Carla,
Quero parabenizar a matéria, pois reproduziste muito bem toda a história. Adorei. Obrigada pela gentileza.
Um grande abraço
Cacaia e Alfredo